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Issue #072 Os ativistas LGBTQIA+ que criam espaços seguros para a comunidade queer em Kosovo
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Portraits of Kosovan LGBTQ+ activists Erblin Nushi/Adelina Rose; Edon Shileku; Rina Krasniqi; Lendi Mustafa; Erblin Nushi © Besfort Syla, Republika Agency

Os ativistas LGBTQIA+ que criam espaços seguros para a comunidade queer em Kosovo

Neste mês, centenas de pessoas foram às ruas de Pristina, capital de Kosovo, para celebrar a sétima Parada do Orgulho LGBTQIA+ consecutiva sob o slogan “Eu te amo como você é”. Para muitos, a marcha foi um símbolo de esperança e progresso; mais uma prova de mudança na maré da aceitação pública e celebração da cultura queer. 

Essa mudança é, em grande parte, impulsionada pela famosa população jovem de Kosovo – 55% tem menos de 30 anos. Desde a declaração de independência de Kosovo em 2008, sua constituição reconheceu a orientação sexual como uma classe protegida contra a discriminação. E os ativistas LGBTQIA+ começaram a exigir mais igualdade por meio de uma nova legislação. Em 2015, a lei de proteção contra a discriminação foi alterada para incluir a identidade de gênero como uma classe protegida.

Ainda assim, os direitos LGBTQIA+ continuam a enfrentar sérios desafios sociais e legais. Nos últimos anos, o parlamento de Kosovo falhou duas vezes em adotar o Código Civil do país, rejeitando-o devido a um artigo que abriria caminho para a legalização da união entre pessoas do mesmo sexo. Pessoas trans não têm acesso a cuidados de afirmação de gênero no sistema de saúde. O conservadorismo social e a homofobia continuam generalizados.

No entanto, uma comunidade inspiradora ainda luta por uma sociedade mais segura e inclusiva para todos. A Service95 conheceu quatro ativistas LGBTQIA+ incríveis em Pristina para discutir o conceito de “espaço seguro” – seu significado e a necessidade de protegê-lo.

Portrait of Kosovan LGBTQ+ actor and activist Rina Krasniqi
Rina Krasniqi © Besfort Syla

Rina Krasniqi – atriz e artista, 26 (ela/dela)

Em 2021, Rina Krasniqi ganhou sucesso internacional com o papel principal em The Albanian Virgin, que estreou no Festival de Cinema de Varsóvia. No verão de 2022, o filme ganhou os três prêmios principais no PriFilmFest, o festival internacional de cinema de Pristina. Além de Melhor Filme, Rina ganhou os prêmios de Melhor Performance Masculina e Melhor Performance Feminina.

The Albanian Virgin mostra a vida de uma “virgem juramentada” – uma tradição albanesa secular na qual mulheres faziam voto de celibato e viviam como homens em sociedades patriarcais que subjugavam as mulheres. A personagem de Rina, Luana, decide se tornar homem para evitar um casamento arranjado.

A dupla vitória de Rina gerou críticas e elogios, refletindo uma discussão que ocorre no mundo todo: eliminar as categorias de gênero para criar uma abordagem mais inclusiva e reconhecer artistas não binários.

Portrait of Kosovan LGBTQ+ actor and activist Rina Krasniqi
Rina Krasniqi © Besfort Syla

Rina tem orgulho de fazer parte da mudança. “Quando você é pioneiro, recebe críticas”, diz ela. “Mas também é bonito, porque você abre espaço para coisas novas. Acho que essa foi minha contribuição aqui em Kosovo. Viram que pessoas queer podem trabalhar, ter sucesso e ser fiéis a si mesmas.”

Para Rina, The Albanian Virgin (uma coprodução germano-belga-albanesa) foi especial por motivos pessoais e profissionais. Ela conheceu seu parceiro no set, com quem agora mora entre Pristina e Bruxelas. Ela acredita que também ajudou a destacar aspectos compartilhados da condição humana. “Não devemos esquecer que, além de queer, somos humanos”, diz ela. “Precisamos lembrar que nosso espaço seguro é como ser humano, desde a infância.” 

Portrait of Kosovan LGBTQ+ actor and activist Rina Krasniqi
Rina Krasniqi © Besfort Syla

Rina subiu ao palco pela primeira vez aos quatro anos de idade em um programa de TV infantil com sua irmã, onde cantaram a música Daba Daba, que se tornou um hino infantil da sua geração. Desde então, continuou explorando as artes. Ela é cantora, multi-instrumentista (piano, violão e percussão), performer teatral e, agora, atriz premiada de cinema. Expressar-se, onde quer que seja, sempre foi seu espaço seguro.

“Na atuação, podemos criar diferentes personagens, com diferentes identidades e biografias. Essa tem sido minha maior liberdade”, diz ela. “É minha zona de conforto.”

Portrait of Kosovar LGBTQ+ activist Edon Shileku AKA drag queen Victoria Owns
Edon Shileku/Victoria Owns © Besfort Syla

Edon Shileku – ator e YouTuber, 25 (ele/dele)

Na preparação para a Parada do Orgulho de 2023, o apartamento de Edon Shileku virou um estúdio profissional. Lá, ele grava seu novo programa no YouTube, Me men’ ska (Nada como ter cérebro) para o canal de mídia online de Pristina Nacionale.

O programa abre com um aviso: “Não recomendado para pessoas de mente fechada, a menos que estejam dispostas a abri-la”. O programa apresenta conversas íntimas com um grupo diversificado de kosovares proeminentes no cenário cultural – atores, músicos, estilistas, poetas e outros. Edon usa a experiência profissional dos convidados como ponto de partida para discutir questões sociais mais amplas, como problemas no sistema educacional, saúde mental e questões de acesso e exploração no cenário artístico local. Um de seus objetivos é incluir vozes queer nas questões públicas.

Portrait of Kosovan LGBTQ+ activist Edon Shileku
Edon Shileku/Victoria Owns © Besfort Syla

Ator em várias produções teatrais independentes, Edon, que cresceu em Pristina, já era conhecido na cena cultural de Kosovo. Mas seu nome explodiu este ano após ser incluído no Big Brother VIP Kosova, a primeira edição local do reality show. Carismático e ousado sobre sua bissexualidade e sua persona drag Victoria Owns, a franqueza de Edon quebrou barreiras culturais e ajudou a introduzir a representação LGBTQIA+ na cultura dominante do país.

“As pessoas da nossa comunidade não têm presença na TV para divulgar informações”, diz. “Elas ficam mais dentro da própria comunidade, espaços que consideram ‘seguros’.”

Details of Kosovan LGBTQ+ activist Edon Shileku's home
© Besfort Syla

O apartamento onde ele produz seu programa no YouTube é um desses lugares. “Eu me sinto seguro quando estou totalmente concentrado no momento, sem pensar em como me comporto, falo, ajo e me movo”, diz ele.

Mas a segurança de Edon não está garantida. Desde que apareceu no Big Brother, ele vem recebendo ameaças em público e online. Isso desencadeia memórias dos insultos que recebia quando criança, por ser “feminino demais”. Recentemente, ele descobriu que seu irmão de 10 anos estava sofrendo bullying na escola por ser seu parente. “Relembrei todos os meus traumas de infância”, diz ele. “Foi muito doloroso.”

Uma maneira de lidar com esse estresse é se apresentar como Victoria Owns  em eventos queer de Pristina e países vizinhos. “É uma forma de terapia”, diz ele, que sonha em fazer uma turnê mundial. “Uso o palco de forma destemida. Despejo tudo ali. Lá, eu me amo do jeito que sou.”

Portrait of Kosovan LGBTQ+ activist Lendi Mustafa
Lendi Mustafa © Besfort Syla

Lendi Mustafa – dono de bar e ativista, 26 (ele/dele)

“Nada me deixou mais feliz do que quando minha mãe começou a me chamar de ‘meu filho’”, diz Lendi Mustafa, com os olhos brilhando de orgulho e melancolia. Quando a mãe de Lendi faleceu em abril deste ano, ele perdeu sua maior fonte de apoio. Ela o manteve forte durante sua jornada de 10 anos para abraçar a identidade de homem transgênero.

O apoio de sua mãe lhe deu forças para sair e lutar pelo resto da comunidade queer. Seja documentando sua transição online, fazendo discursos poderosos na Parada do Orgulho de Pristina ou trabalhando para proteger os jovens LGBTQIA+ que enfrentam rejeição ou violência de suas famílias, Lendi se tornou um dos ativistas mais ferozes e produtivos de Kosovo.

Personal photographs in the home of Lendi Mustafa Kosovan LGBTQ+ activist
© Besfort Syla

Parte de sua motivação são as lembranças da infância, quando não sabia a quem pedir ajuda. “Dá uma sensação de solidão ser criança e não ter informações”, diz ele. “Você está sozinho. Ninguém pode saber e, se você compartilhar qualquer coisa, será destruído. Essa era a ansiedade que eu tinha – se alguém descobrisse, eu não poderia mais viver.”

No ativismo, Lendi trabalha para tornar Kosovo um país mais seguro para as pessoas LGBTQIA+. Segundo ele, isso começa com a descoberta do santuário interior. “Crescemos em uma sociedade que nos faz pensar que não é seguro sermos nós mesmos”, diz ele. “Há pouco espaço para autenticidade, então acho que podemos evoluir criando um lar dentro de nós e em relação aos outros, levando esse conforto para novos espaços.”

Portrait of Kosovan LGBTQ+ activist Lendi Mustafa
Lendi Mustafa, Bubble © Besfort Syla

Em maio de 2022, Lendi fundou o Bubble, único bar gay de Pristina, estendendo o tipo de apoio que recebeu da sua mãe a todos que passam por ali. Além dos shows regulares de drag, a equipe do Bubble arrecada fundos para ajudar pessoas trans a terem acesso a cuidados de afirmação de gênero.

“O Bubble é um espaço seguro criado para os outros. É um lugar onde a comunidade pode vir e compartilhar amor”, diz ele. “Se amanhã não houver outro espaço seguro, pelo menos você pode vir ao Bubble.”

Portrait of Kosovan LGBTQ+ activist and drag artist Adelina Rose
Adelina Rose © Besfort Syla

Erblin Nushi/Adelina Rose – cineasta e drag queen, 31 (neutro)

Adelina Rose se apresentou pela primeira vez em 2018 no bar gay Pieces, em Greenwich Village, Nova York. A persona drag de Erblin Nushi, que tinha 25 anos quando Adelina fez sua estreia, agora se apresenta com mais frequência no Bubble.

Erblin, que é cineasta, nunca esperou ganhar a vida em Kosovo. Apesar de ter crescido no país, Erblin se mudou para os Estados Unidos aos 17 anos. Seu primeiro longa-metragem fez com que algumas memórias retornassem. I Love You More, que estreia no final do ano, usa a identidade queer em Kosovo para falar sobre o amor familiar.

“O filme não é sobre a luta de ser gay em Kosovo”, diz Erblin. “Queria que a mensagem fosse sobre o amor entre uma criança e uma mãe porque, infelizmente, muitas pessoas não têm isso aqui.” Segundo Erblin, muitas pessoas queer em Kosovo não recebem esse amor.

Enquanto criava o filme, Erblin se encantou com o ímpeto do movimento queer e decidiu ficar para fazer parte da mudança. “Kosovo avançou muito; as pessoas na comunidade estão fazendo várias coisas em diferentes áreas”, diz. “Queria contribuir com arte, drag e cinema.”

Uma luta contínua é pela união entre pessoas do mesmo sexo. “O sistema não nos permite fazer as mesmas coisas que uma família heterossexual”, diz. O objetivo de Erblin é a igualdade social e legal plena. 

Portrait of Kosovan LGBTQ+ activist and drag artist Adelina Rose
Erblin Nushi/Adelina Rose © Besfort Syla

Sua persona drag, Adelina Rose, é fundamental para seu ativismo. O nome Adelina vem da grande dama da cena pop de Kosovo, Adelina Ismaili, amada pela comunidade queer por seu apoio incondicional. “Rose” é uma referência aos arbustos de flores de Peja, a cidade onde Erblin cresceu.

Suas roupas também contam uma história. O vestido de espartilho favorito de Adelina foi usado pela primeira vez por sua irmã há 19 anos. “Foi mágico quando ela o vestiu; sempre sonhei em entrar naquele vestido”, diz. É apenas um dos muitos vestidos feitos pela mãe costureira de Erblin. “Às vezes, ela me fazia experimentar as roupas, como se eu fosse um manequim.”

Adelina Rose apresenta-se com frequência no Bubble, um espaço que, segundo Erblin, lembra seu quarto de infância, onde tudo começou. “Era meu espaço seguro, como se eu estivesse em um mundo diferente”, diz. “Depois de muitos anos, o Bubble se tornou esse espaço seguro. Tudo o que fiz no meu quarto eu faço aqui, mas agora com plateia. Fazia na frente do espelho, agora faço na frente de 200 pessoas.”

Besa Luci é jornalista e mora em Pristina. Ela é cofundadora e editora-chefe da revista Kosovo 2.0

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